[ciência aberta]SEIS EDITORAS CONTROLAM AS PUBLICAÇÕES CIENTÍFICAS MUNDIAIS

Alexsandro Carvalho alexsandroccarv em ccarvalho.net
Sábado Fevereiro 6 09:25:59 UTC 2016


Um grupo de seis editoras dominam o mercado de publicações científicas
desde os anos de 1970. As pesquisa acadêmicas estão cada vez mais
submetidas aos interesses das editoras, que tendem a agradar as grandes
indústrias.

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Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Montreal (Canadá),
intitulado “O Oligopólio das acadêmicas  publicações na era digital” (The
Oligopoly of Academic Publishers in the Digital Era) revela que as seis
maiores editoras de pesquisa do mundo (ACS, Reed-Elsevier, Springer,
Wiley-Blackwell, Taylor & Francis, e Sage) tomaram o controle do artigos
acadêmicos publicados em todo o mundo desde os anos 1970 e que pequenas
editoras, foram absorvidas pelo “oligopólio de publicação.

Os pesquisadores analisaram todos os artigos científicos indexados na Web
publicados entre 1973 e 2013, o perfil e a história das fusões e aquisições
de editoras. “Olhando mais de perto as várias disciplinas pesquisadas ,
descobrimos que algumas delas perderam o controle das grandes editoras”,
diz Vincent Larivière, principal autor da pesquisa.

Assim, as áreas mais controladas por esta oligarquia acadêmica estão
relacionadas à química, psicologia e ciências sociais, enquanto as
pesquisas nas áreas biomédicas, físicas e ciências humanas estão sob menor
influência das grandes editoras.

De acordo com o estudo, isso sugere que algumas áreas tornaram-se mais
atrativas, já que foram mais absorvidas do que outras pela publicação
corporativa. Grupos acadêmicos de pesquisa estão cada vez mais submetidos
aos interesses das editoras, que tendem a agradar as grandes indústrias
como de produtos farmacêuticos e vacinas.

No que diz respeito as publicações, não há uma diferença clara no alcance
de um artigo publicado em uma revista das seis grandes editoras, e o número
de citações do mesmo. O estudo mostra que não há aumento claro em termos de
citações após a mudança uma pequena editora para uma grande editora, ou
seja, a aquisição de uma revista por alguma grande editora não aumenta sua
visibilidade.

Para Larivière “As editoras desempenharam um papel vital na disseminação do
conhecimento científico na “era do papel impresso”, porém, é questionável
se eles ainda são necessários na era digital de hoje”.

A pesquisa destaca ainda que a comunidade científica começou a protestar
contra as práticas agressivas de grandes editoras, citando como exemplo a
campanha “O custo do conhecimento”, iniciado em 2012, que incentiva os
pesquisadores a boicotar Elsevier, deixando de participar de como autores,
editores e revisores de suas revistas. Esta ação, mais tarde conhecida como
a “Primavera acadêmica”, também se juntou universidades de renome mundial.

“Enquanto publicação em revistas de alto fator de impacto for um requisito
para os pesquisadores obterem cargos, financiamentos para pesquisas e
reconhecimento de seus pares, as grandes editoras comerciais manterão o seu
domínio no sistema de publicação acadêmica”, diz Larivière
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